Estiva – MG

Localizado na região Sul de Minas Gerais, a 965 metros de altitude, o município de Estiva possui topografia predominantemente montanhosa. Seu território é cortado pelos rios Itaim e Três Irmãos, ambos afluentes do Rio Sapucaí, e faz divisa com os municípios de Borda da Mata, Tocos do Moji, Bom Repouso, Cambuí, Consolação, Cachoeira de Minas e Pouso Alegre.

A população atual é de 10.340 habitantes, sendo 4.418 urbanos e 5.922 rurais, distribuídos em 242 km².

Origens do Povoamento

Estiva surgiu como ponto de passagem dos bandeirantes nos séculos XVII e XVIII, que transitavam rumo à Capitania de São Paulo em busca de metais preciosos e mão de obra indígena. A travessia da região era difícil devido aos pântanos, causando grandes prejuízos aos viajantes.

Por volta de 1720, autoridades decidiram construir uma estiva — ponte rústica de madeira roliça — com cerca de 210 metros, ligando o local onde hoje está o Obelisco à região da Rua Prefeito Pedro Moreira Borges. O local passou a ser conhecido como Brejo da Estiva, nome que mais tarde batizaria o ribeirão e o povoado que ali se formaria.

O primeiro morador fixo da região foi Domingos Soares, por volta de 1757, estabelecendo-se nos arredores do Brejo da Estiva (atual Rua Cornélio Vernizzi) e iniciando atividades agropecuárias.

A Devoção a Nossa Senhora Aparecida e a Formação do Povoado

A formação do povoado começou efetivamente no início do século XIX.
 Em 1810, chegou à região a viúva Rosa Maria Lopes, mulher reconhecida pela caridade e hospitalidade que oferecia gratuitamente aos viajantes.

Segundo a tradição, entre 1835 e 1836, ela recebeu uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, que teria sido ofertada como agradecimento por hospedagem ou trazida durante romaria. A viúva mandou construir um pequeno oratório, onde a imagem era venerada diariamente pela família e pelos escravos.

Os relatos registram que muitos milagres foram atribuídos à imagem, atraindo devotos de várias localidades. Assim, em torno de 1839, decidiu-se construir uma ermida maior ao lado da casa da viúva.

Mais tarde, moradores como Manoel Pereira Balbão Domingos, Eufrosino de Andrade, Francisco Leite da Silva, Teodoro Rodrigues e Capitão Vicente Pereira dos Reis solicitaram ao Bispo de São Paulo autorização para erguer uma nova capela.
Embora Dona Rosa desejasse que a capela fosse construída em suas terras, o Bispo determinou que fosse erguida em local alto e seco. As obras começaram em 1841 e duraram três anos.

A capela foi oficialmente autorizada e benzida em 2 de setembro de 1843, conforme provisão episcopal.

Para a inauguração, prevista para outubro de 1848, ocorreu um episódio marcante: Dona Rosa Maria Lopes se recusou a ceder a imagem para o novo templo. A comissão organizadora decidiu retirá-la discretamente durante a noite.
 Profundamente magoada, a viúva vendeu suas propriedades e deixou o local, sem que se soubesse ao certo seu destino final.

A imagem permaneceu no altar até 1882, quando o vigário Pe. Rafael Constantino mandou esculpir outra imagem maior, alegando que a devoção popular deveria ser representada à altura. Os fiéis, porém, não aprovaram a nova imagem, que permaneceu no trono até 1903.

Consolidação do Povoado

Em 1853, os herdeiros da Fazenda da Estiva doaram 53 hectares para a formação do patrimônio de Nossa Senhora Aparecida da Estiva — ato decisivo para a consolidação do povoado.

O povoado cresceu lentamente, sustentado pela agricultura e pecuária rudimentar, além da produção de açúcar e aguardente. Os suínos tinham grande importância econômica, sendo conduzidos a pé até mercados distantes, como Rio de Janeiro e Pindamonhangaba.

Com a chegada da Estrada de Ferro Rede Sul Mineira (antiga Sapucaí), o desenvolvimento acelerou. Em 1858, o povoado foi elevado a Distrito de Paz, e em 1870, à condição de Paróquia, sob o título de Nossa Senhora Aparecida.
 Em 1871, o nome foi alterado para Nossa Senhora da Conceição da Estiva.

Em 1919, a capela original foi substituída por uma igreja maior.
Em 1923, o distrito passou a se chamar apenas Estiva.

Emancipação e Crescimento

O desejo de emancipação política amadureceu ao longo das décadas. Em 1947, uma comissão liderada pelos moradores, com apoio do deputado Milton Salles, iniciou os trâmites.

A emancipação foi conquistada pela Lei Estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948, e o município foi instalado oficialmente em 1º de janeiro de 1949, com grande celebração cívica.
 O primeiro prefeito foi Gabriel José da Rosa Filho.

Dados do IBGE mostram que, em 1950, Estiva possuía 8.256 habitantes, com economia essencialmente rural. Em 1953, foi criado o distrito de Pântano, instalado em 1954.

Nos anos seguintes, o município se desenvolveu com melhorias urbanas, instalação de energia elétrica na Cachoeira do Fonseca, expansão do comércio e aumento da frota de veículos.

Em 1988, foi lançada a Pedra Fundamental da atual Matriz, pelo Pe. José Franco.

Situação Atual

Estiva conta hoje com 15 bairros rurais, 1 distrito, 11 escolas de ensino fundamental (das quais 8 rurais), uma escola de ensino médio, creche, agências bancárias, Correios e diversos estabelecimentos comerciais.

A economia permanece ligada ao setor primário, com destaque absoluto para o morango, que tornou Estiva um dos maiores produtores do país. Batata, milho, feijão e hortaliças também têm grande representatividade, assim como a pecuária leiteira e de corte, suinocultura familiar, produção de tijolos e pequenas indústrias de confecção e laticínios.

Referências Bibliográficas
· BARBOSA, Waldemar de Almeida. Dicionário Histórico-Geográfico de Minas Gerais. Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 1995.
· Censo Cultural de Minas Gerais. Guia da Região Sul. Governo do Estado de Minas Gerais. Secretaria do Estado da Cultura, 1994.
· OLIVEIRA, Cônego João Aristides de. A Diocese de Pouso Alegre no Ano Jubilar de 1950. Estiva
· Minas: Enciclopédia dos Municípios Mineiros/ vol. 2, Idealizador e organizador: André Carvalho; Redação: Alencar Abujamra e Ivani Cunha. Belo Horizonte: Armazém de Idéias, 1998, 424 p. il.b
· Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Planejada e Organizada por Jurandyr Pires Ferreira. IBGE. 31 jan. 1959.
· PREFEITURA MUNICIPAL DE ESTIVA. Síntese Histórico Geográfica. Arquivo da Escola Municipal Monsenhor Dr. Furtado de Mendonça.

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